terça-feira, 6 de junho de 2017

MULHERES NA MATEMÁTICA: Estrelas Além do Tempo

No auge da corrida espacial travada entre Estados Unidos e Rússia durante a Guerra Fria, uma equipe de cientistas da NASA, formada exclusivamente por mulheres afro-americanas, provou ser o elemento crucial que faltava na equação para a vitória dos Estados Unidos, liderando uma das maiores operações tecnológicas registradas na história americana e se tornando verdadeiras heroínas da nação. É lá que estão Katherine Johnson, Dorothy Vaughn e Mary Jackson, grandes amigas que, além de provar sua competência dia após dia, precisam lidar com o preconceito arraigado para que consigam ascender na hierarquia da NASA.

Katherine Johnson

Johnson pode ser considerada uma criança prodígio. Ela terminou o colégio aos 14 anos e se formou em matemática e língua francesa na West Virginia State University aos 18 anos. Um ano depois de sua graduação, Johnson foi a primeira mulher negra a ser selecionada para integrar um curso de pós-graduação na West Virginia State University.

Entre os anos de 1953 e 1958, Johnson trabalhou como “computador humano” para o Comitê Consultivo Nacional de Aeronáutica (Naca), órgão que viria a ser a Nasa.

O filme foca na época em que Johnson fez os cálculos para que o astronauta John Glenn se tornasse o primeiro norte-americano a orbitar a Terra. Em 1962, a Nasa começou a usar computadores eletrônicos pela primeira vez. No entanto, Glenn se recusou a entrar no foguete antes que Johnson verificasse a rota criada pelo computador.

Outra contribuição importante de Johnson foi o cálculo da trajetória do voo do Apolo 11, o foguete que levou os homens à Lua pela primeira vez, em 1969. Além de tudo isso, a cientista é coautora de 26 artigos científicos e recebeu recentemente das mãos do presidente dos Estados Unidos Barack Obama uma das maiores honrarias do país: a medalha presidencial da liberdade.

Dorothy Vaughan

Vaughan se formou em matemática aos 19 anos pela Universidade de Wilberforce. Em 1943, após anos trabalhando como professora de matemática, ela começou a trabalhar no laboratório de aeronáutica Langley Memorial na Naca. Na época, as Leis de Jim Crow estavam em voga e, por isso, Vaughan fazia parte do West Area Computers, um grupo composto apenas de mulheres afro-americanas que trabalhava como computadores humanos.

Diferentemente de Johnson, Vaughan não continuou no ramo da matemática com a chegada dos computadores eletrônicos. Ela percebeu que todas as mulheres do West Area Computers seriam as primeiras a serem demitidas com o uso de máquinas da IBM. Assim, ela decidiu aprender a programar e ensinou a outras mulheres a tarefa.

Em 1949, Vaughan tornou-se chefe do West Area Computers. Ela foi a primeira supervisora negra da história da Naca. A cientista continuou no laboratório até 1958, quando a Naca passou a ser chamada Nasa. Em seguida, foi designada para a Divisão de Análise e Computação da Agência Espacial.

Mary Jackson

Jackson se formou no Hampton Institute em 1942 com um diploma duplo em Matemática e Ciências Físicas. Foi apenas em 1951 que a cientista começou a trabalhar com o grupo segregado West Area Computers. Após dois anos trabalhando lado a lado com Dorothy Vaughan, Jackson trabalhou para o engenheiro Kazimierz Czarnecki no Túnel de Pressão Supersônico, um túnel de vento de 60 mil cavalos que era capaz de explodir quase qualquer coisa com ventos próximos ao dobro da velocidade do som.

Para que pudesse realizar experimentos dentro do túnel, Jackson precisou entrar em um treinamento que a promoveria de matemática para engenheira. No entanto, as aulas eram realizadas na segregada Escola Secundária de Hampton e ela precisou de uma permissão especial para se juntar aos alunos brancos. Em 1958, Jackson se tornou a primeira engenheira mulher e negra da Nasa.

A cientista foi autora e coautora de uma dúzia de relatórios de pesquisa. A maioria desses estudos são focados no comportamento da camada limite de ar em torno de aviões.

Fonte: Exame.com

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