Pesquisador do ICMC
apresenta modelo que traduz o romance por meio de equações diferenciais
Talvez poucos tenham de fato
lido a peça de Shakespeare, mas é provável que não exista história de amor mais
famosa do que a de Romeu e Julieta. Com a ajuda da matemática, contudo, é
possível contá-la de uma maneira diferente.
É assim que, a partir do uso
de equações diferenciais lineares, a matemática passa a complementar a
literatura e é possível enxergar a dinâmica do relacionamento do casal de um
jeito inovador. As variáveis do sistema, no caso, são os sentimentos expressos
pelos jovens.
Foi no blog da matemática
russa Tanya Khovanova, pesquisadora do MIT (Instituto de Tecnologia de
Massachusetts), onde o estudante de pós-doutorado do Instituto de Ciências
Matemáticas e de Computação (ICMC) da USP Jackson Itikawa teve contato com o
problema ilustrado pelo matemático Steven Strogatz.
“Imediatamente fiquei
fascinado com a ideia e decidi que algum dia contaria para mais pessoas a
respeito desse modelo tão simples, mas incrivelmente poderoso, porque é capaz
de ensinar as pessoas um pouco do cerne da teoria qualitativa das equações
diferenciais ordinárias (TQEDO) e da teoria de sistemas dinâmicos”, conta.
Jackson explica que na TQEDO
é feito o estudo do comportamento das soluções de sistemas de equações
diferenciais, resultando em uma representação gráfica, o chamado “retrato de
fase”. Ou seja, não há o cálculo explícito da solução.
Após vencer a primeira
edição da FameLab Brasil, evento no qual o competidor tem três minutos para
explicar um conceito científico ao público, Itikawa se planejou para contar a
história de Romeu e Julieta e as equações diferenciais na etapa internacional
da competição. Contudo, na Inglaterra, não chegou à final. A chance, porém,
veio mais tarde, na XIX edição do Simpósio de Matemática para a Graduação
(SiM) do ICMC.
“Era a oportunidade perfeita
para contar sobre esse modelo aos estudantes de graduação do instituto. E ao
invés dos três minutos que eu teria no FameLab, eu dispus de uma hora para
contar, em detalhes, sobre o que Shakespeare e a Matemática podem ter em
comum”, diz o pesquisador.
O pós-doutorando, assim,
resolveu adicionar elementos próprios ao modelo de Strogatz e introduzir
fatores “não-lineares”, isto é, perturbações, ao sistema original. No caso,
pensar na maneira como fatores externos, a exemplo de desentendimentos entre as
famílias rivais dos jovens, poderiam ou não alterar o relacionamento do casal
matematicamente.
Sobre as equações
diferenciais, Jackson lembra que elas foram essenciais para que Isaac Newton
criasse sua Teoria da Gravitação Universal. “Elas são um instrumento muito
importante na explicitação de fenômenos da natureza e no modelamento de
problemas”, conclui.
Um interminável ciclo de
amor e ódio.
Quadrante
superior direito: ambos apaixonados – quanto mais positivos os
valores no eixo R, menores são os valores no eixo J. Ou seja, quanto mais Romeu
está apaixonado, mais Julieta perde o interesse nele.
Quadrante
superior esquerdo: os valores positivos no eixo J indicam que
Julieta ama Romeu, mas ele a odeia.
Quadrante
inferior direito: os valores positivos no eixo R indicam que
Romeu ama Julieta, mas ela o odeia.
Quadrante
inferior esquerdo: quanto mais negativos os valores no eixo R,
os valores no eixo J crescem. Isto é, quanto mais Romeu odeia Julieta, mais ela
o ama.
FONTE: Jornal do Campus

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