Pesquisas sobre a didática da disciplina mostram como os alunos pensam e reforçam estratégias de ensino centradas na resolução de problemas
É cada vez maior o
conhecimento sobre como as crianças aprendem conceitos matemáticos. Pesquisas
sobre a didática da disciplina aos poucos chegam aos cursos de formação e
começam a difundir uma nova maneira de ensinar. O que antes era considerado
erro do aluno ou falta de conhecimento do conteúdo agora se revela como a
expressão de diferentes formas de raciocinar sobre um problema, que devem ser
compreendidas e levadas em consideração pelo professor no planejamento das
intervenções.
No decorrer do século
20, as discussões se intensificaram, motivadas pelas descobertas da psicologia
do desenvolvimento e da abordagem socioconstrutivista, feitas principalmente
pelo cientista suiço Jean Piaget (1896-1980)
e pelo psicólogo bielo-russo Lev Vygotsky (1896-1934).
"No Brasil, foi
nas décadas de 1950 e 60 que os educadores passaram a se preocupar com a baixa
qualidade do desempenho dos estudantes. Em diversos países, propostas para
enfrentar as dificuldades começaram a ser construídas e, da busca de soluções,
surgiu um novo campo de conhecimento", explica Célia Maria Carolino Pires,
do Programa de Estudos Pós-Graduados em Educação Matemática da Pontifícia
Universidade Católica de São Paulo. Na França, essa área do saber é
chamada de didática da Matemática e os principais pesquisadores são Guy Brousseau, Gérard Vergnaud, Régine Douady e Nicolas Balacheff. No Brasil,
ela também é conhecida como Educação Matemática.
"As pesquisas
francesas deram aporte a investigações que concebem o aluno como sujeito ativo
na produção do conhecimento e considera as formas particulares de aprender e
pensar", resume Cristiano Alberto Muniz, coordenador adjunto do Programa
de Pós-Graduação em Educação da Universidade de Brasília (UnB). Essa abordagem
tem implicações didáticas, pois coloca o professor como conhecedor do processo
de aprendizagem, da natureza dos conteúdos e das intervenções mais adequadas
para ensinar.
Aulas em que se
expõem conceitos, fórmulas e regras e depois é exigida a repetição de exercícios,
tão usadas até hoje, têm origem no começo do século 20. Porém sabe-se que elas
não são a melhor opção para a Educação Matemática. "Procedimentos
clássicos podem ser utilizados desde que tenham coerência com os objetivos do
planejamento e estejam acompanhados de tempo para a reflexão e a discussão em
grupo", observa Muniz.
Fonte: Revista Nova Escola
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