No auge da corrida espacial
travada entre Estados Unidos e Rússia durante a Guerra Fria, uma equipe de
cientistas da NASA, formada exclusivamente por mulheres afro-americanas, provou
ser o elemento crucial que faltava na equação para a vitória dos Estados
Unidos, liderando uma das maiores operações tecnológicas registradas na
história americana e se tornando verdadeiras heroínas da nação. É lá que estão
Katherine Johnson, Dorothy Vaughn e Mary Jackson, grandes amigas que, além de
provar sua competência dia após dia, precisam lidar com o preconceito arraigado
para que consigam ascender na hierarquia da NASA.
Katherine Johnson
Johnson pode ser considerada uma
criança prodígio. Ela terminou o colégio aos 14 anos e se formou em matemática
e língua francesa na West Virginia State University aos 18 anos. Um ano depois
de sua graduação, Johnson foi a primeira mulher negra a ser selecionada para
integrar um curso de pós-graduação na West Virginia State University.
Entre os anos de 1953 e 1958,
Johnson trabalhou como “computador humano” para o Comitê Consultivo Nacional de
Aeronáutica (Naca), órgão que viria a ser a Nasa.
O filme foca na época em que
Johnson fez os cálculos para que o astronauta John Glenn se tornasse o primeiro
norte-americano a orbitar a Terra. Em 1962, a Nasa começou a usar computadores
eletrônicos pela primeira vez. No entanto, Glenn se recusou a entrar no foguete
antes que Johnson verificasse a rota criada pelo computador.
Outra contribuição importante de
Johnson foi o cálculo da trajetória do voo do Apolo 11, o foguete que levou os
homens à Lua pela primeira vez, em 1969. Além de tudo isso, a cientista é
coautora de 26 artigos científicos e recebeu recentemente das mãos do
presidente dos Estados Unidos Barack Obama uma das maiores honrarias do país: a
medalha presidencial da liberdade.
Dorothy Vaughan
Vaughan se formou em matemática
aos 19 anos pela Universidade de Wilberforce. Em 1943, após anos trabalhando
como professora de matemática, ela começou a trabalhar no laboratório de
aeronáutica Langley Memorial na Naca. Na época, as Leis de Jim Crow estavam em
voga e, por isso, Vaughan fazia parte do West Area Computers, um grupo composto
apenas de mulheres afro-americanas que trabalhava como computadores humanos.
Diferentemente de Johnson,
Vaughan não continuou no ramo da matemática com a chegada dos computadores
eletrônicos. Ela percebeu que todas as mulheres do West Area Computers seriam
as primeiras a serem demitidas com o uso de máquinas da IBM. Assim, ela decidiu
aprender a programar e ensinou a outras mulheres a tarefa.
Em 1949, Vaughan tornou-se chefe
do West Area Computers. Ela foi a primeira supervisora negra da história da
Naca. A cientista continuou no laboratório até 1958, quando a Naca passou a ser
chamada Nasa. Em seguida, foi designada para a Divisão de Análise e Computação
da Agência Espacial.
Mary Jackson
Jackson se formou no Hampton
Institute em 1942 com um diploma duplo em Matemática e Ciências Físicas. Foi
apenas em 1951 que a cientista começou a trabalhar com o grupo segregado West
Area Computers. Após dois anos trabalhando lado a lado com Dorothy Vaughan,
Jackson trabalhou para o engenheiro Kazimierz Czarnecki no Túnel de Pressão
Supersônico, um túnel de vento de 60 mil cavalos que era capaz de explodir
quase qualquer coisa com ventos próximos ao dobro da velocidade do som.
Para que pudesse realizar
experimentos dentro do túnel, Jackson precisou entrar em um treinamento que a
promoveria de matemática para engenheira. No entanto, as aulas eram realizadas
na segregada Escola Secundária de Hampton e ela precisou de uma permissão
especial para se juntar aos alunos brancos. Em 1958, Jackson se tornou a
primeira engenheira mulher e negra da Nasa.
A cientista foi autora e coautora
de uma dúzia de relatórios de pesquisa. A maioria desses estudos são focados no
comportamento da camada limite de ar em torno de aviões.
Fonte: Exame.com









